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Decisões que transformam o Fluxo de Caixa da empresa

Atualizado: 20 de jan.

A falta de controle do Fluxo de Caixa quase quebrou a empresa. Mas as decisões de mudança construíram um novo cenário.

Em uma indústria de quadros elétricos, Vera, a gerente financeira, presenciava de mãos atadas os excessos e as decisões irresponsáveis da diretoria. Consequentemente, isso comprometia diretamente o Fluxo de Caixa da empresa.


O caminho da quebra da empresa


Durante oito anos ela tentou alertar seus superiores sobre a crise que havia se instalado. Mas as soluções que apresentava eram sempre rejeitadas, pois a diretoria usava seu poder hierárquico para optar apenas pelo que lhe era mais conveniente.


Compras à vista e vendas a prazo


A maioria das decisões comerciais era tomada independentemente das possibilidades financeiras da empresa.


Era muito comum, por exemplo, a indústria atender às exigências do fornecedor e comprar à vista, ficando sem dinheiro para pagar as contas. Da mesma forma era comum facilitar as condições de pagamento para o cliente, vendendo a prazo, apesar da empresa estar com pouco dinheiro em caixa.


Desperdício de matéria-prima


Também havia muito desperdício de matéria-prima por ineficiência de maquinário ou negligência técnica.


Quase sempre que uma máquina apresentava algum defeito, continuava sendo utilizada, mesmo que prejudicasse a produção. Quando parava de funcionar virava sucata, sem ao menos ser verificada a possibilidade de conserto. Em vez disso, investiam em financiamento de novo maquinário, gerando um custo desnecessário e diminuindo a liquidez da empresa.


Mistura de pessoa física com jurídica


As retiradas de dinheiro dos sócios, além do pró-labore, incluindo o pagamento de cartões de crédito, financiamento de veículos e apartamentos, eram outra preocupação de Vera. Porque desestruturavam completamente o setor financeiro da empresa.


Os sócios, porém, não pensavam nas consequências dessas retiradas, pois acreditavam que não afetariam o resultado da empresa.


O susto com a realidade


A fábrica perdeu dinheiro pouco a pouco, enquanto a diretoria se mantinha alheia à sua realidade financeira. Até que a dívida ficou maior do que o resultado operacional e os superiores de Vera não tiveram mais como ignorar a necessidade de mudanças.


Após analisar adequadamente a situação, os sócios perceberam que se continuassem mantendo as mesmas práticas de sempre, perderiam o negócio em pouco tempo.


As decisões de mudança


Então concordaram em reorganizar as finanças, fazer um planejamento das medidas que deveriam ser adotadas e respeitar os limites pré-estabelecidos para as negociações.

A partir daí, tomaram as seguintes medidas:


  • os prazos de pagamento e recebimento das compras e vendas passaram a ser definidos conforme o Fluxo de Caixa da empresa;

  • foram estabelecidos novos critérios para as negociações seguintes;

  • foi avaliada a rotatividade de produtos no estoque para manter somente a quantidade que seria utilizada;

  • reajustaram os preços que estavam desatualizados no sistema (a margem de lucratividade já não era mais confiável).


Essas mudanças contribuíram para aumentar o capital de giro e diminuir a dívida da empresa.

Posteriormente foi também verificada a possibilidade de conserto das máquinas que estavam com defeito ou inoperantes. O que diminuiu consideravelmente o desperdício de matéria-prima e os gastos com maquinário novo.


Além disso, foi criado um programa de treinamento e incentivo para valorizar o pessoal e aumentar a produtividade.


A transformação


Após alguns meses, a pequena indústria de quadros elétricos estava completamente mudada:

  • o Fluxo de Caixa da empresa estava sendo controlado adequadamente;

  • havia aumentado a possibilidade de fazer investimentos sem comprometer as finanças da empresa;

  • os funcionários produziam mais;

  • os clientes demonstravam maior satisfação.


As ações implantadas foram imprescindíveis para as melhorias na fábrica. Mas o que realmente fez a diferença nessa nova fase foi a decisão da diretoria em substituir os exageros e as atitudes impensadas pelo planejamento e trabalho constante. Pois esse é o único caminho para transformar uma empresa financeiramente comprometida em um negócio saudável e bem-sucedido!